Abraão Lincoln é apontado como líder de esquema que desviou R$ 221 milhões de aposentados e pensionistas.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), no Senado, um pedido de prisão preventiva contra o potiguar Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura. A solicitação foi apresentada pelo relator Alfredo Gaspar, que aponta risco à investigação, à ordem pública e à aplicação da lei penal.De acordo com a apuração, a entidade ligada ao investigado arrecadou cerca de R$ 221 milhões por meio de descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social entre 2023 e 2025. Levantamentos indicam que a maioria esmagadora dos aposentados e pensionistas afirmou não reconhecer as cobranças, o que reforça a suspeita de fraude em massa.
A relatoria também identificou tentativas de aplicar descontos em benefícios já encerrados por óbito, o que pode configurar inserção de dados falsos em sistemas da Dataprev. Em fiscalização da Controladoria-Geral da União, a confederação não apresentou documentos que comprovassem a autorização dos descontos, alegando perda de arquivos.
Segundo o relatório, houve repasses superiores a R$ 94 milhões para empresas ligadas a outros núcleos do esquema, incluindo o grupo associado a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, o que levanta suspeitas de lavagem de dinheiro. A CPMI também afirma que o investigado teria influência em nomeações no Ministério da Pesca e Aquicultura, o que poderia comprometer a produção de provas.
Para os parlamentares, o volume das movimentações financeiras e a articulação com outros investigados indicam risco de fuga e de ocultação de patrimônio — motivos usados para sustentar o pedido de prisão preventiva.
PRISÃO ANTERIOR NA CPMI
Abraão Lincoln já havia sido detido em novembro após prestar depoimento à CPMI, acusado de falso testemunho. A ordem de prisão foi determinada pelo presidente da comissão, Carlos Viana, a pedido do relator. Ele foi solto após pagar fiança.
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